DEPENDÊNCIA QUÍMICA

A Dependência Química é uma doença crônica e recorrente, caracterizada por um padrão de uso de substâncias que leva a prejuízo clinicamente significativo ou sofrimento. Segundo a classificação atual (DSM-5 e CID-11), o diagnóstico é dado pela presença de sintomas cognitivos, comportamentais e fisiológicos que indicam que o indivíduo continua usando a substância apesar dos problemas significativos relacionados a ela. Critérios chave incluem a perda de controle sobre o uso, o desenvolvimento de tolerância, sintomas de abstinência e a "fissura" (forte desejo de consumir) que leva ao abandono de atividades sociais e profissionais importantes.

O tratamento deve ser multifacetado e baseado em evidências, visando não apenas a abstinência, mas a melhoria da qualidade de vida e a reintegração social. As abordagens terapêuticas mais recomendadas incluem:

  1. Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): Ajuda a identificar e modificar padrões de pensamento e comportamento que levam ao uso.

  2. Entrevista Motivacional (EM): Visa aumentar a motivação interna para a mudança.

  3. Terapia de Contingências (TC): Utiliza recompensas para reforçar comportamentos de abstinência.

  4. Tratamento Farmacológico: Uso de medicamentos para controle de fissura, sintomas de abstinência e prevenção de recaídas (ex: Naltrexona, Acamprosato, Buprenorfina), com pesquisas recentes explorando inovações como vacinas antidrogas.

A recuperação é um processo contínuo que exige acompanhamento especializado.


Referências Bibliográficas

  • AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION (APA). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders: DSM-5-TR. 5. ed. Texto Revisado. Arlington, VA: American Psychiatric Association, 2022.

  • ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde - CID-11: Versão para Mortalidade e Morbidade. Genebra: OMS, 2018.

  • DIEHL, A. et al. Dependência Química: Prevenção, Tratamento e Políticas Públicas. Porto Alegre: Artmed, 2011. (Embora de 2011, é um manual fundamental no contexto brasileiro e frequentemente referenciado).

  • LARANJEIRA, R. et al. Evolução do conceito de dependência (atualizada, com comentários sobre o DSM-5). Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 37, n. 3, p. 195-201, set. 2015.

  • GOD LIFE CENTRO TERAPÊUTICO. Três abordagens terapêuticas baseadas em evidências para o tratamento da dependência química de drogas e álcool. (Artigo de blog com referências a estudos atuais sobre TCC, EM e TC, acessado em 2024).


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